domingo, 6 de novembro de 2011

Raul Rachid


Era final de tarde em Niterói, estava eu em mais um trabalho de produção junto com meu amigo Raul Rachid, e comecei a refletir comigo mesmo o talento e sensibilidade musical do Raul. Nesse momento, tive a idéia de perguntar se ele lembrava alguma balada da Madonna no teclado, e pedi para ele tocá-la. Ele assim o fez, e nunca mais vou esquecer Raul sentado em frente a janela do seu apartamento, num belo entardecer, executando aquela música não apenas fisicamente, mas com a alma. Pude confirmar o que eu sempre pensei: _ Raul era uma daquelas criaturas que nasceram com o dom de captar sentimentos de um plano superior, e passar para nós através do seu talento musical.
Numa outra ocasião também, essa foi até mais engraçada. Raul estava envolvido na produção de uma música, simplesmente a ópera “O Guarani”. Ele tinha que fazer o arranjo de toda aquela orquestra, e acreditem meus amigos, ele o fez. Instrumento por instrumento através do seu teclado, todos os sons nos seus mínimos detalhes, e acreditem,  ainda veio me perguntar se estava bom. (rs)
Coisas de Raul Rachid, uma pessoa que passei a admirar, um grande amigo e parceiro musical. Trabalhávamos numa sintonia perfeita: eu, Raul e os amigos do invisível, que estavam ali sempre nos intuindo boas idéias. Eu pensava em algo, e lá estava Raul já vindo com tudo aquilo e mais um pouco do que eu estava pensando, fora aquela capacidade incrível de buscar  sons que ninguém mais irá tirar igual a ele. Algo peculiar dele, pessoa simples e de um caráter de se admirar.
Raul nunca se preocupou com o dinheiro em nossas produções. No segundo CD que gravamos, o “Ao Teu Lado”, eu estava em casa pensativo como iria conseguir um recursos para as horas de estúdio, e nesse mesmo instante Raul, numa sintonia de pensamentos Raul me ligou perguntando quando eu não iria inicar as gravações do meu novo CD. Expliquei a ele que no momento estava captando recursos, e Raul imediatamente me disse: _ Deixa de bobeira Marcelo, vem gravar e não se preocupa com isso, paga quando e do jeito que você puder. Isso tudo meus amigos, porque Raul era um artista e não um comerciante musical.
É Raul Rachid, eu e Danuzia iremos sentir muito a sua falta meu amigo, mas tenho certeza que o plano espiritual deve estar satisfeito e utilizando todo esse talento que Deus lhe deu através da música para semear cada vez mais harmonias de paz e amor. Termino essas linhas, emocionado, lembrando desse amigo e desse irmão que certamente um dia irei reencontrar. Eu nada havia escrevi antes, porque não queria fazer um desabafo de tristeza e sim falar de um jeito alegre e saudoso desse grande amigo e maior músico que já toquei na minha vida chamado “Raul Rachid”.
Fiquem com Deus e até a próxima!
Marcelo Daimom

3 comentários:

  1. Linda homenagem! Era mesmo um grande cara.

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  2. Conheci Raul na Banda Saara Saara em 1986. Gente muito boa. Inteligente e amável! esteja em paz!

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  3. Me lembro dele produzindo Pepe e neném no estúdio dele na Ari parreiras em Niterói,por lá passaram muitos como Serjão Loroza e muitos outros

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